Passos Coelho esqueceu-se de anunciar a derradeira medida de austeridade: dar a cada português uma pá para cavar o seu próprio buraco.

Austeridade: cada um deve cavar o seu buraco!
Desde há muito, muito tempo que não se viam medidas de austeridade tão sérias quanto as que foram recentemente anunciadas pelo Primeiro-Ministro. Na televisão, com ar pesado, Passos Coelho explicou que “quanto mais se cortar agora, melhor será depois”. Para o Primeiro-Ministro, a austeridade é como andar à fome: “quanto mais tempo estamos sem comer, melhor nos sabe o pãozinho ao fim do dia“.

O Governo veio explicar que esta austeridade toda tem a sua sustentação ideológica na sabedoria popular. Para ilustrar, o Primeiro-Ministro emitiu um comunicado explicando que “os antigos, que sabem mais do que nós pois já viveram muito mais tempo” entendem e apoiam estes cortes. E deu o exemplo, recitando vários ditados populares que, considera, “são ilustrativos de como ser Austero é sinónimo de ser Português“.

Passos começou por dizer, em relação ao despesismo evidenciado nos últimos anos, que “quem tudo quer, tudo perde”. Quanto à dureza do que aí vem, referiu que é melhor “viver mal e morrer bem”. No que toca à obsessão que Portugal tem de crescer mais depressa do que os seus parceiros europeus, referiu que “depressa e bem, não há quem”. Depois, o Primeiro-Ministro tentou convencer os seus concidadãos de que não é assim tão mau ter pouco dinheiro porque, vendo bem, “o dinheiro não traz felicidade”.

De acordo com o Primeiro-Ministro, falta-lhe ainda encontrar um ditado que justifique plenamente a medida mais violenta, o corte dos subsídios de férias e de Natal já no próximo ano: “esta é mais difícil mas a verdade é que sempre ouvimos dizer que o Natal é quando um homem quiser.”

Já na despedida e em tom de esperança, Pedro Passos Coelho lembrou ainda que “quem dá o que tem, a mais não é obrigado” e aproveitou para anunciar a derradeira medida de austeridade: entregar a cada português uma pá. “Na verdade”, explicou-nos o Primeiro-Ministro, “nem sequer é bem uma medida de austeridade. É até um subsídio. Uma pá para cada português cavar o seu próprio buraco!”


TUDO O RESTO

2 Comments → “Passos Coelho esqueceu-se de anunciar a derradeira medida de austeridade: dar a cada português uma pá para cavar o seu próprio buraco.”

  1. Vitor Rendeiro 6 years ago   Reply

    será
    E os senhores que estão em casa com fundo de desemprego e dele não querem sair. Pois é muito bom ganhar meio ordenado pelo estado sem fazer nada e ainda ganham algum por fora que a segurança social não ve porque não quer.
    Temos de lembrar que todos eles são uma grande fatia da despesa do estado e que por caridade nos todos que somos estado temos também alguma responsabilidade pois o estado não é só os senhores da política caros leitores.

  2. Rubina 6 years ago   Reply

    O buraco de Portugal e, consequentemente, de cada um de nós começou a ser cavado há muito tempo e não foi pelo Passos Coelho. O actual Primeiro Ministro só está a “arrumar” a casa que outros deixaram bem na penúria.

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