Gordos contra o Governo

20110823-013758.jpg

“Chega de gozo!”, pedem.

A BADOCHA, Benemérita Associação Dos Obesos Carecendo de Hábitos Alimentares, insurgiu-se esta noite, através de comunicado oficial, “contra os termos utilizados pela classe política portuguesa e, em particular, pelos membros do Governo, quando se referem ao défice e às contas públicas do país, bem como às medidas necessárias para as regularizar”. A Associação diz que “é tempo de falar” contra o que considera um ataque às liberdades de cidadania num estado democrático. “Os políticos, que também foram eleitos pelos membros da nossa Associação, não salvaguardam os interesses dos associados da BADOCHA. Sentimo-nos vexados e humilhados”, acrescenta o comunicado.

Concretamente, a Associação rejeita “o uso recorrente” de termos como a gordura excessiva na função pública, o peso enorme que o Estado tem na economia ou o emagrecimento do sector público. “A BADOCHA não se revê na história da imobilidade do mercado laboral, nem na necessidade de diminuir a assimilação de funcionários que estejam a recibos verdes. A BADOCHA insurge-se ainda contra as constantes menções a alterações ao regime fiscal para combater a propalada enorme pressão dos mercados.”

Pode ainda ler-se no comunicado, que “a BADOCHA insurge-se contra a generalização de termos que considera abusivos e atentatórios ao bom nome dos seus associados, como sejam a necessidade de colocar as contas na linha e, sobretudo, a necessidade de reduzir o consumo para equilibrar a balança de pagamentos, ao mesmo tempo que se diz que queremos ter acesso ao mercado.”

A BADOCHA critica também o uso de termos como o encolhimento do sector empresarial do Estado e a implementação de medidas certas que não estão provadas que funcionem, pois “não há uma medida certa”, afiança.

O comunicado reage também às ideias da esquerda portuguesa, que “teima que são os ricos que comem tudo e que são eles os principais responsáveis pelo má repartição do bolo, o que gera um crescimento da massa de desempregados.” Em relação aos partidos de direita, a BADOCHA critica a insistência no uso de termos como a mão pesada do Fisco e a necessidade de dar flexibilidade ao mercado de trabalho para garantir a sustentabilidade da segurança social.

Alvo das críticas da associação estão ainda “todos os que fazem constante referência à agilidade das pequenas e médias empresas e à morosidade da Justiça, que tem muitos processos parados“. A BADOCHA reclama do alargamento da idade da reforma, da necessidade de investir em qualidade e não em quantidade e de reequilibrar as contas através de restrições, bem como da constante alusão à necessidade de pôr a economia a mexer.

Reclamando da “conspiração existente para denegrir a imagem do gordo de Portugal”, a BADOCHA aponta como prova o “uso e abuso” de políticos com nomes “tão sugestivos” como Fernando Nobre, Passos Coelho ou Morais Leitão.


TUDO O RESTO

Leave a Reply