Sporting enganado por empresários

 José Eduardo Bettencourt Sporting

JEB diz: “Já não se pode confiar em ninguém”.

O Sporting terá voltado a cometer um erro no mercado de transferências. Depois dos 6,5 milhões de Euros por Simana-Pongolle, o Sporting voltou a enganar-se. Ou, no entender do seu presidente, José Eduardo Bettencourt (JEB), terá sido enganado.

Disse JEB à Turma do Mónico: “Chegaram aqui a Alvalade dois tipos bem parecidos no dia 13 de Março de 2010, pelas 15h43, estava eu a tomar um cafezinho. Disseram-me que eram os representantes do Jardelinho Gaúcho, que me disseram tratar-se do novo Jardel mais Ronaldinho Gaúcho. Disseram-me que iria ser o furacão da grande área. Que era muito novo e que na nossa Academia, que é reconhecida como a melhor do mundo, iria atingir o seu potencial.”

Depois de vários falhanços nas contratações efectuadas, JEB não terá querido deixar escapar esta oportunidade. Ainda para mais porque “disseram-me que o Porto e o Benfica estavam atrás dele, além do Real Madrid e de um grande clube albanês. Talvez me tenha deixado impressionar, confesso. A verdade é que, com toda esta pressão, deixei de saber bem o que fazer. As minhas pernas começaram a tremer… sinal de stress. No aperto, e sem sequer vermos vídeos do jogador, e mesmo sem perguntar ao Carvalhal o que achava da hipótese Jardelinho, cheguei-me à frente e contratei-o para o Sporting… Também o Carvalhal, coitado, está de saída, o que é que ele sabe?… Se fosse hoje… Não sei, parece que não acerto uma. Agora também não sei bem o que fazer com o Costinha. Já reparou na forma como ele se veste? Na altura pareceu-me que não tinha alternativa… Mas esta do Jardelinho… que chatice! Já tinha deixado o Varela escapar para o Porto… tive medo e fui em frente com o Jardelinho.”

Mas quanto? Quanto custou o Jardelinho, JEB? “Pois, é isso… isso é que… pronto… olhe, foi um milhão de euros. Um milhão…”

Bom, do mal o menos. Um milhão é muito dinheiro, mas para quem pagou 6,5 milhões pelo Pongole e mais um milhão _para o caso de ele vir a jogar bem_… Pronto, JEB, não parece o fim do mundo. “Não, mas… um milhão de euros… por ano. Um milhão de euros por ano, Mónico. Durante… bom, 13 anos…”

13 anos?! Oh, JEB!… Eh, pá… Bem, nunca se sabe. Às vezes paga-se muito e vem um jogadorzeco, às vezes é ao contrário… Isto nunca se sabe. Especialmente quando se trata de jogadores jovens, qualquer coisa pode acontecer. Alguns tornam-se autênticos furacões, outros não servem nem para limpar escadas. “Eles diziam-me que o Pinto da Costa estava disposto a pagar o dobro por 50% do passe… Pareceu-me um bom negócio. Agora penso que era tudo mentira, claro… Aquilo não eram empresários coisa nenhuma. Eram uns charlatães. Já não se pode confiar em ninguém. Só me resta esperar para ver no que dá.”

Revelando mais optimismo e até com um leve sorriso nos lábios, JEB mostra como conseguiu tornar-se bom na banca: “Já desenvolvi um plano de contingência do género do que eu usava quando trabalhava no BES. Este tipo de planos é importante porque temos de identificar todos os riscos e minimizá-los. Temos de trabalhar bem no desenvolvimento do Jardelinho, para que ele se torne mesmo muito bom… ainda melhor que o verdadeiro Jardel ou o Ronaldinho Gaúcho. Felizmente, temos tudo preparado. Temos a máquina toda bem oleada e completamente focada no desenvolvimento do Jardelinho Gaúcho. Nada pode ficar ao acaso. Só há um factor de incerteza: saber quando é que ele vai nascer…”


[publicado originalmente em Magazon]


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