Chicotada no Sporting. Já!

Presidente do Sporting

Despeçam o presidente!

A mim o que me chateia nem é que o Sporting não consiga ganhar jogos, porque uma pessoa vai-se habituando a isso. Ao fim de sete jogos sem ganhar, eu até já queria mais e mais derrotas. É um pouco masoquista, claro, mas acho que é sobretudo uma forma de nos fazermos sentir bem no presente, sabendo que as coisas vão ficar ainda piores no futuro.

Portanto, que o Sporting perca… uma pessoa habitua-se. O que chateia mesmo é ver que os jogadores só trabalham com esforço quando lhes apetece. Fazem dois jogos de raiva, como eles dizem, que é como quem diz “toma lá, pensavas que nós não jogávamos nada, não era? Mas não. A gente é só querer e joga.”

O Everton e o Porto. O Sporting ganhou-lhes 3-0. E isto mesmo com o Grimi a jogar!

Com estes resultados também ficámos a saber que estamos todos ainda mais baralhados, sem saber o que achar do Carvalhal. Talvez, com mais tempo, se perceba se ele é bom ou mau. Ele, por enquanto, mostrou que é simpático e humilde. Diz sempre “na minha opinião”. “Na minha opinião, fomos melhores.” Mesmo quando se esquece, volta atrás para corrigir: “Fomos melhores. Bom… isto, na minha opinião…”

Mas não nos podemos esquecer do que tem sido o Sporting ultimamente. Os jogos contra o Olhanense, a Académica, o Paços de Ferreira… Nem foi o facto de só termos conseguido dois pontos em nove que eram obrigatórios ganhar, porque, lá está, já não há equipas fáceis e a gente foi-se habituando à miséria. O que não podemos esquecer é a pasmaceira, a lentidão, o não-querer-saber, o para-que-é-que-vou-tentar-tirar-a-bola-ao-adversário-se-o-Grimi-lha-vai-devolver-assim-que-puder…

É por isso que não podemos fazer as pazes com esta equipa este ano. Porque houve muitos maus momentos e muito poucos bons.

Mas o pior do Sporting e o que desapontou mais gente este ano foi a Administração ou o Presidente, que parece que anda ali aos papéis, ao sabor do vento. Não tem rumo, não tem força, não tem visão. Muda a cada 15 dias. Às vezes é amigo do Benfica, depois do Porto, depois parece que se chateia com um deles mas faz de propósito para irritar o outro logo a seguir. Umas vezes diz que é para apostar na Academia, outras vezes é para gastar o que não tem, à Benfica. Depois vem dizer que o modelo a seguir é o do Porto.

Mas o Porto não tem a Academia do Sporting. Se tivesse, teria outro modelo de negócio. Como se tivesse o mesmo número de adeptos do Benfica, teria outro também. O Porto tem um modelo que privilegia a compra de cinco sul-americanos por ano, por 15 milhões de euros. No fim desse ano, manda de volta um, empresta um ao Setúbal e outro ao Rio Ave, fica com um na equipa e vende o quinto por 30 milhões. Usa metade para pagar contas e com os 15 milhões que lhe resta, volta a fazer a mesma coisa. Vai à América do Sul, trás cinco jogadores, etc., etc., etc..

A mim parece-me que o Sporting devia seguir um caminho diferente, que é o de potenciar aquilo que tem de melhor, aquilo em que de facto é melhor do que os outros. Pelo que se tem visto, é na Academia que o Sporting tem melhores resultados. Não é a gastar milhões a comprar jogadores, nem a ir fazer tournées aos Estados Unidos, nem a fazer canais de televisão.

Tenho pena que o Presidente do meu clube só tenha tido essa opinião na altura das eleições, precisamente porque era a opinião que lhe daria mais votos. Na altura parecia que era a estratégia que ia seguir, na linha da Administração anterior. Mas agora parece que foi só a forma que ele encontrou para ser eleito.

Por isso, tenho a impressão que alegrias semelhantes às dos 3-0 ao Everton e ao Porto não se vão repetir muito mais vezes.

NOTA: Vejam bem a fotografia. Vê-se mesmo que estava a improvisar…

 


[publicado originalmente em Magazon]


Este texto é uma obra de ficção. Ainda que possa ser inspirado em acontecimentos ou episódios reais, não pretende veicular qualquer notícia ou facto da realidade. Mais, quaisquer informações, afirmações ou citações nele contidas não devem ser tomadas como fidedignas e não vinculam, sob qualquer forma, as pessoas ou entidades a quem sejam eventualmente atribuídas ou associadas.

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